Tempos e movimentos ao legendar ultrassom, eco e doppler

Os aparelhos de ultrassonografia, ecocardiografia e doppler oferecem ferramentas para identificação da imagem e seus  achados. Isto pode ser feito por sobreposição de texto (legendas) e de pictogramas (pequenos desenhos).
Em geral as legendas são classificadas segundo a modalidade/especialidade, por exemplo, Ao, AE, AD, VE,VD para ecocardiografia e Fígado, Vias biliares, Cava para Medicina Interna, formando Dicionários.

O painel típico de um aparelho de ultrassonografo conta com uma interface com o usuário composta de um teclado, botões e um track-ball ou touch-pad.

A distribuição destes elementos, assim como suas dimensões, variam a marca e modelo. Obviamente, nos aparelhos portáteis as dimensões são  menores.

Para legendar uma foto, o usuário deve parar o exame, selecionar o menu (dicionário) e levar a seleção ao local desejado, uma manobra que envolve o TrackBall, o botão de Select e muitas vezes o teclado.

 

Movimentos do track-ball

Movimentos do track-ball: distâncias médias entre o track-ball e o teclado (keyboard) e o botão de seleção (select)

Os track-ball e os touch-pad são como um mouse,  para posicionar o cursor no monitor. A movimentação do TrackBall (ou touch-pad) se faz de modo interrompido, isto é, para deslizar o cursor no monitor, de um extremo ao outro são necessários de 1,5 a 4 deslizamentos completos do track-ball. E quanto mais “wide-screen” maior esta relação.
A geração iPhone acha isto estranho, sim:  os designers terão de repensar todos estes painéis com a vinda dos touch-screens!

Para cada legenda são necessárias, em média três deslizamentos e duas movimentações para clicar o Select (um para confirmar a seleção e outro para fixar). Portanto, uma legenda requer uma movimentação dos dedos de aproximadamente 16cm com 5 movimentos repetitivos.

Considerando que para documentar um Ecocardiograma de adulto sejam necessárias 6 fotos e que em média sejam colocadas 5 legendas (uma indicando a janela/Corte e as outras indicando cada câmara, ou valva ou fluxo), teremos um percurso de 80cm por exame com 25 movimentos de repetição. Daí para se concluir que no final de um mês, alguém que faça 22 ecocardiogramas por dia, terá percorrido 370m, ou seja, o perímetro de um campo de futebol. Imagine a cada mês dar uma volta num campo de futebol,  com as pontas dos dedos!

Será que não há um meio de resolver isto?
A primeira idéia que vem pode ser melhorar o layout do painel, colocar um touch-screen, aprimorar os dicionários. Porém, pensando melhor, quais as variáveis que podemos trabalhar para resolver a questão e qual é mesmo o cerne da questão?

  1. Será que o legendamento em cima da imagem é realmente necessário e a forma que está sendo feita supre esta necessidade?
  2. Será que usar um aparelho de R$ 100.000 para legendar imagens é um ato de bom custo/beneficio?

Considerando a primeira pergunta:
Legendamento é usado para se identificar e comunicar um achado na imagem.
A meu ver o legendamento não é obrigatório. Voce já viu um raio-X de Tórax com setas apontando “Traquéia”, “Coração”?  Ou com um eletrocardiograma com setas apontando as ondas “p” o complexo “QRS”?
Legendar colocando-se texto sobre a imagem é um meio de comunicação sem integração com sistema, isto é, aquele texto serve somente para leitura humana, não tendo valor computacional.  Portanto supre parcialmente a necessidade de comunicação.

Considerando a segunda pergunta:
No  ecocardiograma, no ultrassom e no doppler, por vezes se faz necessário um  mínimo de identificação , composto por:  Janela,  órgão de referência e orientação do corte, como por exemplo, distinguir entre a carótida esquerda da direita ou o testículo direito do esquerdo. Portanto esta identificação deve ser feita pelo operador, no ato que está obtendo a imagem, e, portanto usar o aparelho para tal parece ser o mais sensato.  Porém, inúmeras outras considerações que falam a favor de legendar ‘off line’, ou seja com um sistema separado do aparelho:

  • Ergonomia do uso do aparelho:  o operador está segurando o transdutor com uma mão, cheia de gel, muitas vezes meio que dependurado para alcançar o órgão alvo – realmente uma condição esdrúxula para legendar.
  • Iluminação da sala: durante o exame o operador tem mais dificuldade de localizar teclas e, ao se adaptar para a luminosidade do painel, perde um tempo para adaptação à luz do monitor.
  • Tempo de execução:  em crianças e mais raramente em adultos, o paciente começa se tornar irrequieto chegando ao ponto de prejudicar o exame.
  • Custo: enquanto o operador está legendando, o aparelho está sendo sub-utilizado.
  • Apresentação: cada aparelho tem uma apresentação diferente (cor e tamanho da fonte).
  • Na maioria dos caos, a maioria das imagens são obtidas numa seqüência (protocolo de execução do exame), pré-definida e altamente repetitiva.

Então, a resposta é: legendamento seqüencial automático. Para isto o sistema de laudos deve estar integrado com a obtenção de imagens (DICOM ou captura) e ser estruturado, segundo o protocolo de execução do procedimento.

O legendamento seqüencial automático foi implantado no Scriba em Janeiro de 2012.

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